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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Sophia



I


Perfeito é não quebrar
A imaginária linha

Exacta é a recusa
E puro é o nojo.




II

Este é o tempo
Da selva mais obscura

Até o ar azul se tornou grades
E a luz do sol se tornou impura

Esta é a noite
Densa de chacais
Pesada de amargura

Este é o tempo em que os homens renunciam.



III
Poema


Cantaremos o desencontro:
O limiar e o limar perdidos

Cantaremos o desencontro:
A vida errada num país errado

Novos ratos mostram a avidez antiga.




Sophia de Mello Breyner Andresen (Portugal)

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