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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

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Crise pode criar uma "geração de crianças problemáticas"
 

A atual crise pode criar uma "geração de crianças problemáticas", uma vez que as faixas etárias mais jovens "estão especialmente suscetíveis" aos efeitos da crise, avisou o presidente do Instituto de Educação da Universidade do Minho.

Em declarações à Lusa, Leandro Silva Almeida afirmou ainda que as "solução circunstanciais" para os problemas financeiros atuais "podem comprometer seriamente o futuro emocional" das crianças portuguesas.

Para este docente e investigador, atualmente em Portugal está-se a dar demasiada importância à "componente curricular" da educação infantil, e a "descuidar" outras áreas com "tanta ou mais importância".

Segundo Leandro Almeida, "a atual crise está a comprometer a educação", embora admita ser "necessário fazer escolhas face aos constrangimentos financeiros".

O investigador chamou a atenção para as consequências do atual momento de crise que Portugal atravessa nas crianças de hoje, "jovens do amanhã".

"A infância é uma das faixas etárias mais atingidas. Nesta altura os jovens estão especialmente suscetíveis aos efeitos vários de uma crise. Principalmente aos efeitos emocionais. O crescimento da criança não é só uma estimulação cognitiva", apontou.

Leandro Almeida lembra que a educação passa também por "questões alimentares, jogos" e que, "num momento em que há poucos recursos, os pais, vivenciando com drama as situações diárias, têm pouca disponibilidade afetiva".

Desta situação, avisou o especialista, "pode advir uma geração problemática", porque "os reflexos desta crise não se vão sentir só agora mas também mais tarde".

Daí, disse, "ser necessário refletir quais são as áreas estratégicas, e aquelas em que não é possível descurar ou eliminar recursos, sob pena de estarmos a comprometer o futuro do país para resolver um problema económico circunstancial de agora".

Até porque, explanou o docente da UMinho, "no país está-se a enfatizar muito a componente curricular", mas, afirmou, "não se consegue formar crianças felizes e ajudá-las a ter projetos de vida, se se limitar a formação exclusivamente à aprendizagem básica".

Para o responsável, "é preciso ter uma escola, uma família, uma comunidade atenta ao facto da educação ser o todo da pessoa, e uma criança que não [experimenta] na escola todas as componentes do seu ser, não vai saber estar, comportar-se nem integrar-se com sucesso na sociedade".

Assim, defendeu, "a educação cívica e as atividades extracurriculares são tanto ou mais importantes do que a educação curricular".

 



foto Lisa Soares/Global Imagens

 



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