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domingo, 9 de setembro de 2012

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Mais 396 pensões douradas

 

Reformados de luxo custam ao País 250 milhões de euros por ano

 

O número de reformados do Estado com pensões acima de quatro mil euros, as chamadas pensões douradas, não pára de aumentar. A despesa anual com estas pensões ultrapassa os 250 milhões de euros. No final do ano passado, segundo o relatório da Caixa Geral de Aposentações (CGA), existiam 5235 pensionistas milionários, um aumento de 396 beneficiários face aos 4839 indivíduos que recebiam reformas chorudas em 2010. Ou seja, houve um aumento de 8,2%. Ao todo, no ano passado, aposentaram-se 23 617 funcionários públicos, dos quais 45% através de reforma antecipada.

A análise dos dados dos relatórios anuais da CGA deixa claro que, entre 2004 e 2011, o número de pensionistas milionários praticamente duplicou: passou de 2681, em 2004, para 5235, no ano passado. Mesmo com o corte nos subsídios de férias e de Natal este ano, a despesa anual com as pensões douradas irá ultrapassar os 250 milhões de euros. A corrida à reforma na Administração Pública acentuou-se em 2011. E a prova disso é que, no ano passado, o número de funcionários públicos que solicitaram a passagem à reforma ascendeu a 31 887 pessoas. Deste total, segundo destaca a CGA, "cerca de 37% [dos pedidos] entraram nos dois últimos meses do ano, sendo a maioria pedidos de pensão antecipada." Mesmo com uma penalização de 0,5% por mês no valor da reforma, no ano passado 10 622 funcionários públicos reformaram-se de forma antecipada.

Em relação a 2012, os números ilustram uma crescente procura da aposentação. Segundo dados incluídos na execução orçamental, até Março os serviços da CGA registaram mais 5368 novos pensionistas. O número representa quase um quarto das reformas registadas em 2011.

Para Bettencourt Picanço, do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE), estes dados revelam que "as pessoas procuram por todas as maneiras aposentar-se." E por uma razão simples: "Consideram-se maltratadas, por causa da redução das remunerações, da não progressão na carreira."

José Abraão, do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública (SINTAP), frisa que "muitas dessas pessoas fazem falta aos serviços públicos." Daí que, com base neste cenário, ambos os dirigentes sindicais não tenham dúvidas de que esta "é uma tendência que se vai agravar", até por causa "das alterações legislativas que estão a ser preparadas, como as rescisões amigáveis."

 
                     

AZENHA, António Sérgio. “Mais 396 pensões douradas”, O Correio da Manhã online, 22 abril 2012, [url] http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/exclusivo-cm/mais-396-pensoes-douradas
 

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