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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

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Troika não exigiu mudanças na TSU
 
 “Se houver apenas austeridade, a economia não vai sobreviver”, diz Selassie

 

Abebe Selassie afirmou, em entrevista ao Público, que os cortes salariais foram ideia do governo e que a troika não exigiu qualquer mudança na Taxa Social Única (TSU).

Recorde-se que Vítor Gaspar já tinha dito o mesmo, na terça-feira, em entrevista à SIC: "a baixa da TSU para as empresas e a subida de sete pontos percentuais nos descontos para a Segurança Social e Caixa Geral de Aposentações dos trabalhadores privados e do Estado não foram contrapartida exigidas pela troika para dar mais um ano a Portugal para reduzir o défice das contas públicas para valores abaixo dos 3%".

O chefe da missão do FMI em Portugal acrescentou ainda que se do programa constar apenas austeridade, "a economia não vai sobreviver".

“É imperativo que tenhamos também reformas que melhorem a produtividade. Resolver o problema da competitividade simplesmente reduzindo os salários não vai resultar”, disse ainda Selassie.

O economista etíope referiu ainda que qualquer medida que fosse tomada pelo executivo teria gerado um grande debate: “Se o IRS ou o IRC tivessem sido aumentados, as pessoas teriam dito: mas porquê o IRS, porquê o IRC? Se fosse o IVA também se queixariam. Qual seria a alternativa? Qualquer medida que fosse tomada teria também gerado um debate grande”.

Com a flexibilização das metas do défice, “o que tentámos foi dar mais tempo ao ajustamento orçamental, de modo a evitar tensões excessivas na economia”, concluiu o chefe da missão.

Segundo Selassie, o Governo decidira anteriormente não avançar com o corte da TSU, mas a ideia foi retomada “na sequência da decisão do Tribunal Constitucional sobre os cortes dos subsídios”.

Selassie disse também que a troika está convencida de que esta medida “irá suportar a procura de emprego”, embora reconhecendo que terá impacto sobre os rendimentos disponíveis.

“Imagino que esta seja uma das medidas mais difíceis que o governo já tomou até aqui. E insisto: nesta conjuntura, qualquer outra medida que tivesse sido tomada teria gerado o mesmo debate”, disse.

O chefe da missão do FMI rejeitou que Portugal esteja a ser sujeito a uma experiência económica e disse que o ajustamento orçamental se deve aos “desequilíbrios perigosos que a economia portuguesa acumulou desde 2001”.

Sobre a possibilidade de o PS votar contra o Orçamento de Estado, Selassie disse que “a base alargada de consenso social e político é importante”, mas que se trata de “uma questão de política doméstica interna”.

“Vemos o programa a correr bem até ao momento. Portugal ganhou credibilidade crescente pela forma como o programa foi implementado”, acrescentou.

Abebe Selassie deslocou-se a Portugal no âmbito da quinta avaliação da troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) ao plano de ajustamento da economia portuguesa, concluída na terça-feira, de que resultou um adiamento das metas para reduzir o défice.

 

Jornal i, online,  13 setembro 2012, [url] http://www.ionline.pt/dinheiro/troika-nao-exigiu-mudancas-na-tsu
 
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